como abrir um consultório médico

Como abrir um consultório médico? Passo a passo e requisitos

Em algum momento da carreira, você, médico, verá no empreendedorismo a oportunidade de se estabelecer financeiramente, além de obter mais segurança e estabilidade.

Porém, a abertura de um consultório médico ou clínica é carregada de diversas obrigações e necessidades gerenciais, como também legais, o que se torna um verdadeiro desafio a qualquer empreendedor iniciante.

Se você está pensando em abrir o próprio negócio, esse artigo te ajudará a esclarecer suas dúvidas e, como em um verdadeiro passo a passo, irá te auxiliar a como abrir um consultório médico de sucesso e rentável a longo prazo. 

Como abrir um consultório médico (passo a passo)

Gerir um consultório ou uma clínica médica não é uma tarefa simples.

Isso porque, dentre tantos motivos, o médico, para além de um profissional de medicina, torna-se o administrador do seu próprio negócio.

Sendo assim, para evitar problemas iniciais e futuros, a seguir separamos pontos fundamentais a serem observados para ajudar você na abertura de um consultório médico do zero. Acompanhe:

1. Plano de negócios

plano de negócios

O primeiro e maior erro do médico que abre um consultório é não fazer um plano de negócios.

Um plano de negócios nada mais é que a estruturação no papel da forma de funcionamento da empresa, que leva em consideração fatores como

  • Dados sobre concorrência;
  • Pesquisa e análise de mercado;
  • Diferenciais ofertados;
  • Aspectos burocráticos;
  • Viabilidade financeira

Basicamente, é munir-se de informações para tomar decisões de negócio mais seguras e conscientes.

Lembre-se que um consultório médico é também uma empresa, e como toda empresa é preciso atuar de forma estratégica.

Embora seja um serviço de primeira necessidade e de, na maioria das vezes, estar situado em nichos bem específicos, todo consultório ou clínica médica necessita gerar valor para que seu serviço passe a ser desejado pelos potenciais clientes no momento de necessidade.

Portanto, vamos citar alguns pontos importantes do plano de negócios para você, médico, ficar atento:

1.1. Posicionamento

Há um velho ditado que diz que “quem quer agradar todo mundo, não agrada ninguém”.

Definitivamente podemos aplicar essa mesma filosofia aos consultórios médicos.

Ao definir que a prestação de serviço médico acontecerá, é preciso também estabelecer para quem ele será destinado, logo que isso implicará diretamente na forma de funcionamento da empresa, bem como em seu faturamento.

Por exemplo:

  1. O empreendimento será uma clínica popular, com preços acessíveis que atenderá uma grande parcela da população;
  2. Ou será prestado um serviço premium, com valores mais elevados, ao qual uma menor parcela da população pode pagar?

Ou seja, se de um lado o faturamento vem pelo elevado número de consultas realizadas, do outro é possível realizar menor quantidade de atendimentos, visto o valor elevado por consulta.

E é importante lembrarmos aqui que: não existe certo ou errado.

Posicionar-se parte necessariamente da premissa de abrir mão de algo em função da sua escolha.

1.2. Público-alvo

A grande maioria dos médicos que abrem consultório já realizaram sua residência médica e, ao prestar seu serviço, devido à especialidade, já possuem um perfil de pacientes a serem atendidos, como, por exemplo, ginecologistas, que só atendem mulheres.

Apesar disso, é importante estabelecer um público-alvo dentro do perfil de pacientes que  sua empresa atenderá, estabelecendo, para isso, critérios como:

  • Gênero;
  • Faixa etária;
  • Perfil socioeconômico;
  • Atividade profissional;
  • E estilo de vida.

Lembre-se que os pacientes indicam médicos para as pessoas que convivem com eles. É natural, por exemplo, que atletas indiquem outros atletas para um médico do esporte. 

Definir um público-alvo é importante não apenas para determinar um perfil de atendimento, mas também para direcionar e potencializar a comunicação com esses potenciais pacientes da forma mais eficaz possível.

Isso se aplica às redes sociais, na interação durante a consulta, aparições em palestras, entrevistas ou em eventos sociais. 

Mas fique atento: a publicidade médica pode configurar infração ética, por isso procure aprender mais sobre o tema e considere investir em assessoria especializada. 

1.4. Localização

E por falar em ambientação do espaço, qual é o lugar ideal para abrir um consultório médico?

Essa resposta dependerá diretamente das escolhas feitas nos tópicos anteriores (Posicionamento e Público-alvo).

Exemplo: se uma clínica se posiciona como premium, a tendência é que ela se estabeleça em bairro nobre.

Da mesma forma, pode não fazer sentido abrir uma clínica popular em regiões mais elitizadas.

Mas nem sempre é assim: há clínicas populares que são instaladas em bairros nobres, porém em pontos em que há trânsito intenso de pessoas com perfil buscado por elas. 

É o caso de clínicas situadas em bairros nobres, mas em avenidas com grande fluxo de veículos, muitas vezes com corredores de ônibus ou próximas a estações de metrô.   

A escolha do local de uma clínica médica necessita ser condizente com o trânsito da população ao seu redor.

Facilite a vida do seu potencial cliente e escolha localidades de fácil acesso e que transmitam o seu posicionamento.

2. Requisitos legais para abertura

requisitos para abertura de clínica médica

Mas, e em questões legais? Quais são as regras para montar um consultório médico?

Clínicas e consultórios médicos necessitam cumprir diversos requisitos para funcionarem.

Estar em dia com cada um deles é de extrema importância para a simples existência da empresa, visto que manter-se irregular pode impactar até mesmo no fechamento da mesma.

Por isso, atente-se aos seguintes pontos:

2.1. Qual é o tipo do seu estabelecimento?

O Ministério da Saúde é o órgão brasileiro responsável pela classificação de unidades de saúde particulares, possuindo 25 categorias de estabelecimentos de serviços de saúde.

De acordo com os serviços prestados pela clínica médica, é possível identificar em qual categoria a empresa se enquadra (por isso a importância do plano de negócio).

O tipo de estabelecimento decorre das atividades desenvolvidas, sendo que as atividades estão relacionadas a códigos de atividade atrelados ao CNPJ da sua Clínica Médica. 

Estes códigos estão previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), uma classificação oficialmente adotada pelo Sistema Estatístico Nacional e pelos órgãos federais gestores de registros administrativos.

Em geral, as sociedades médicas estão atreladas à seguinte ordem hierárquica dentro desta classificação: Seção Q (saúde humana e serviços sociais) e Divisão 86 (atividades de atenção à saúde humana).

Porém, dentro da divisão 86, temos diferentes grupos nos quais a sociedade pode se inserir (dentre outros): 

  • 86.1 Atividades de atendimento hospitalar
  • 86.2 Serviços móveis de atendimento a urgências e de remoção de pacientes
  • 86.3 Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos
  • 86.4 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica

Dentro de cada um desses grupos há classes e subclasses específicas, que exigem análise criteriosa para enquadramento em conjunto com o contador.   

Mas porquê é importante definir os códigos de atividade vinculados às atividades desenvolvidas pela sua clínica médica? 

A classificação tem implicações cadastrais e fiscais.

Por exemplo: Os códigos de atividade da classificação nacional implicam na definição do tipo de estabelecimento de acordo com os critérios impostos pelo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). 

A classificação também implica na definição do código municipal que consta na nota fiscal de serviços (a municipalidade costuma atribuir para cada atividade um código específico). 

Por fim, o código escolhido será considerado nos pedidos de alvará sanitário, sendo certo que alguns códigos demandam procedimentos mais criteriosos e complexos que outros. 

2.2. Alvará Municipal

Suponhamos que você já tenha escolhido o local da sua clínica ou consultório médico, agora é só entrar e prestar seus serviços, correto?

Não.

Os serviços médicos são regulamentados e precisam de diversas permissões para a sua prestação, seja em hospitais públicos ou em espaços particulares.

O documento que dá permissão de funcionamento para empresa é o alvará, emitido pela prefeitura da municipalidade onde se localiza o estabelecimento.

Por se tratar de um regramento municipal, você precisa checar regras, condições e requisitos impostos pela prefeitura.

Para conceder um alvará, normalmente a divisão técnica da prefeitura analisa diversos documentos tais como:

  • Requerimentos;
  • Documentos pessoais do requerente;
  • Contrato de locação;
  • Cópia/dados do carnê do IPTU do imóvel;
  • Laudos de segurança;
  • Planta do imóvel;
  • Atestados e declarações. 

2.3. Vigilância Sanitária

Outro braço do poder público que exige conformidades e adequações, se necessárias, para a liberação de funcionamento é a vigilância sanitária.

Esse órgão público atua para a proteção e promoção da saúde humana, evitando que a população fique exposta a condições que coloquem em risco o seu bem-estar.

Quando pensamos que consultórios e clínicas médicas têm como objetivo final o mesmo da vigilância sanitária (saúde da população), entende-se a importância de estar dentro das exigências.

Para cada tipo de serviço prestado (serão considerados todos os códigos das atividades desenvolvidas no estabelecimento) e grau de periculosidade sanitária dentro das atividades da empresa, são exigidos tipos e quantidades diferentes de documentos que comprovem que a mesma está dentro dos parâmetros exigidos.

2.4. Autorização do Corpo de Bombeiros

Também pensando na segurança de pacientes, funcionários e visitantes gerais do estabelecimento, cada estado possui regras junto ao corpo de bombeiros para a prevenção de incêndios e calamidades estruturais em edifícios comerciais.

Para a obtenção do documento de liberação dos bombeiros e exercício da atividade econômica, é preciso agendar uma vistoria e, caso seja necessário, realizar as adequações necessárias.

2.5. Cadastro de Limpeza Urbana

Essa é uma daquelas questões que quando um médico pensa em como abrir um consultório médico dificilmente se lembra e só vai se deparar com ela quando a necessidade bater: o descarte de lixo.

Como bem sabemos, o lixo de clínicas e consultórios médicos não é o mesmo do gerado de forma domiciliar, logo que o descarte de materiais específicos, como agulhas e remédios, pode gerar riscos de contaminação da população, bem como do meio ambiente.

Então, como proceder?

É preciso realizar o cadastro no departamento de limpeza urbana da cidade, uma vez que este é o responsável pela liberação do certificado que autorizará tal coleta.

Em caso de alteração dos dados cadastrais, de endereço ou até mesmo o fechamento do estabelecimento, o responsável técnico deverá solicitar a atualização ou o cancelamento do cadastro.

3. Contabilidade e Gestão financeira Especializada

gestão financeira

Verdade seja dita: questões financeiras exigem acompanhamento constante, desde o momento do planejamento da abertura do negócio.

A gestão financeira é o ponto central para a análise de viabilidade do seu negócio (o consultório médico é um negócio e deve ser tratado como tal).

Por isso, atente-se aos seguintes pontos:

  • Aprenda a relacionar-se com o seu contador. Defina com ele tudo o que você precisa fazer para que um bom serviço seja prestado, o que certamente beneficiará seu negócio;
  • Conheça a importância das Demonstrações Financeiras, entendendo a importância que elas assumem nas suas tomadas de decisão; 
  • Defina quem produzirá as demonstrações financeiras gerenciais que lhe auxiliarão no dia-a-dia (fluxo de caixa, demonstrativo de resultado, e projeção de contas a pagar e receber);
  • Analise as demonstrações financeiras produzidas com alguma periodicidade e tome decisões em relação ao seu negócio, tais como formação de reservas, definição de montante de antecipação de lucros aos sócios, manutenção de capital de giro, provisionamento de contas a pagar, etc.
  • Conheça e controle custos e despesas;
  • Verifique a margem de lucro dos serviços prestados.   

De forma ampla, esses são aspectos gerais que se desdobram em outras subnecessidades e obrigações contábeis no planejamento e cotidiano da empresa.

Mas vamos detalhar um pouco mais o que são e qual a importância das demonstrações financeiras mencionadas:

3.1. Demonstrativo de Resultado

O demonstrativo de resultado tem por objetivo lhe mostrar se seu negócio deu lucro ou prejuízo. Talvez isso não lhe surpreenda, mas muitos médicos não sabem quanto seus negócios faturam, se são lucrativos ou se dão prejuízo.

Para fazer um demonstrativo de resultado você deve capturar, por exemplo, os dados financeiros relacionados a um determinado mês. 

Você deverá considerar o faturamento, os tributos, os custo e as despesas de um determinado ciclo, independente do momento em que estes fatores impactam no caixa. 

Como saber se o seu consultório deu lucro no mês de março?

Você deverá considerar todos os atendimentos e procedimentos realizados durante o mês de março, todo material consumido nesses procedimentos, todas as despesas e tributos relacionadas a este mesmo mês

Note que nem sempre as entradas e saídas relativas ao mês de março ocorrem durante este período, por isso temos que considerar o que chamamos de competência, e não o caixa da empresa.

Um caminho básico para verificar se seu consultório deu lucro ou prejuízo durante um determinado mês pode ser representado a seguir:

  1. Considere o seu faturamento (notas fiscais emitidas durante o mês sem se preocupar com o momento em que forem pagas);
  2. Desconte os tributos relacionados a estas notas;
  3. Desconte os custos relacionados aos procedimentos (valores incorridos para execução dos serviços, exemplo toxina botulínica para realização de uma sessão de botox)
  4. Desconte as despesas do seu consultório (Salário de colaboradores, Luz, aluguel, internet, serviços contábeis, material de escritório, marketing, etc)
  5. Desconte despesas financeiras como tarifa bancária, juros bancários, taxa de cartão e  dívidas;
  6. Pronto, você identificou o lucro/prejuízo do seu negócio em um determinado mês analisado!  

3.2. Fluxo de Caixa 

As entradas e saídas de caixa de um determinado período é o que chamamos de fluxo de caixa

Quando tratamos de fluxo de caixa, consideramos o registro de todas as movimentações de caixa em um determinado lapso temporal.

É o fluxo de caixa que nos mostra como o caixa da empresa estava no início do mês e como ele estava no momento de encerramento de um determinado mês.

Diferentemente do demonstrativo de resultado, que visa mostrar se o seu negócio deu lucro ou prejuízo, o fluxo de caixa mostra a movimentação do caixa, ele aponta todas as entradas e saídas que aconteceram em um determinado mês. 

Como assim, saídas e entradas? Vamos exemplificar:

  • Saídas financeiras contemplam todos os custos e despesas da empresa: internet, telefone, energia, insumos, folha de pagamento, aluguel, assessoria contábil, insumos para consultas, etc;
  • Enquanto as entradas financeiras abrangem todo dinheiro que entra em caixa: valor monetário da consulta, repasse de planos de saúde, valores advindos de parcerias estratégicas

Note que não estamos vendo as notas fiscais emitidas e nem considerando quaisquer valores que não as entradas e saídas.

3.3. Contas a Pagar e a Receber (Fluxo de caixa projetado)

O fluxo de caixa projetado significa a projeção das entradas e saídas nos próximos meses. 

No fluxo de caixa projetado você considerará ingresso de receitas no futuro relacionadas aos serviços já prestados e as despesas que você já sabe que irão se materializar

Ou seja, você considera todos os dados que você já conhece (entradas e saídas de recursos) em uma projeção.

Isso lhe permite verificar como o caixa do seu negócio se comportará nos meses que virão pela frente, a quantidade de valores a receber e a pagar.  

Note que o fluxo de caixa projetado tem uma importante relação com a verificação da inadimplência, visto que você projetará valores a receber e precisará verificar se eles entraram na conta da empresa.

O Fluxo de caixa projetado também é importante para que você controle o seu contas a pagar, ou seja, realize pagamentos dentro de uma programação definida prevendo como estes pagamentos impactarão no seu caixa. 

Como se pode ver, não é tão simples fazer a gestão financeira de um consultório, ainda mais equilibrando a mesma com a rotina médica.

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São diversas decisões a serem tomadas e detalhes a serem observados que impactam diretamente na saúde financeira da empresa e do empreendedor.

Por isso, é muito comum que médicos empreendedores contem com a ajuda de empresas especialistas em questões contábeis para o gerenciamento de seus empreendimentos, como a MedAssist.

Com profissionais especializados e com grande Know-how em contabilidade para médicos, a MedAssist conta com serviços personalizados de assistência financeira, planejamento tributário e abertura de empresas.

Para falar com um especialista MedAssist clique aqui.

Assim, o profissional de medicina pode focar na prestação de um serviço médico de maior qualidade, sem se preocupar com a construção das demonstrações financeiras  que apresentamos até aqui.

4. Estruturação jurídica

estruturação jurídica para médicos

Para que você inicie sua jornada é essencial que você constitua uma sociedade médica

É justamente nesse momento que você deverá implementar as diretrizes do seu plano de negócio e concretizar a escolha do tipo societário, implementar o regime tributário mais benéfico, e registrar os códigos de atividade mais condizentes com sua atividade.

É nesse momento também que você formaliza o Contrato Social e eventuais acordos laterais com seus sócios.

Vale a pena definir as atribuições de cada um desde o início, para que ninguém se sinta prejudicado depois.

Nesse momento vale a máxima: “o combinado não sai caro”.  

Sendo assim, nessa estruturação devem ser observados:

  • Natureza jurídica da Sociedade (Sociedade Unipesoal ou Sociedade Médica (simples ou empresarial));
  • Escolha de regime tributário (principalmente Simples Nacional ou Lucro Presumido);
  • Desenvolvimento do Contrato Social (atente para cláusulas relacionadas à administração, deliberações dos sócios e término da sociedade);
  • Registro da empresa no CRM.

Com o acompanhamento de perto de uma equipe de contabilidade e de advogados, você garante a iniciação de um negócio dentro das conformidades legais, adota melhor formato jurídico e pagará a menor quantidade possível de impostos.

5. Estrutura do consultório ou clínica médica

Quando falamos de estrutura física do local de atendimento, o primeiro ponto a ser verificado é a necessidade de adequação do espaço às normas municipais e estaduais para o funcionamento dentro da legalidade, como autorização do corpo de bombeiros e alvará de funcionamento.

Antes de comprar ou alugar um imóvel, certifique-se que ele está apto para que sua sociedade se estabeleça.

A burocracia é implacável: a falta de um documento implica na impossibilidade de obter outro.

Sem a autorização do corpo de bombeiros sua sociedade não obterá alvará de funcionamento. 

Tão importante quanto à checagem da situação regular do imóvel é o atendimento às normas da ANVISA.

Os estabelecimentos da área da saúde precisam atender às regras impostas pela Resolução nº 50/2002 da ANVISA, sob pena de impossibilidade de obtenção do alvará sanitário.

Vale a pena consultar um arquiteto que conheça e verifique se as instalações atendem às normas sanitárias ou implemente modificações necessárias para atendimento das mesmas. 

Tudo isso obviamente deve ser considerado ao escolher o imóvel, sendo certo que a locação de um imóvel irregular ou que não atenda às normas da ANVISA poderá lhe causar grandes  dores de cabeça. 

Com isso em ordem, as necessidades estruturais para bem atender seus pacientes dependerão muito do tipo de serviço prestado.

Cada especialidade pode exigir disposições específicas, particulares.

Uma clínica oftalmológica, pode exigir espaço para cadeira oftalmológica enquanto outra clínica pode exigir uma sala para realização de exames específicos, trocadores, uma sala para realização de procedimentos, etc.  

Da mesma forma, é preciso pensar também nos acompanhantes dos pacientes (que em alguns casos e necessidades, é uma obrigação).

Durante o período de permanência no estabelecimento, onde e como permanecerão no local?

Por isso, para além da sala de atendimento em si, é preciso pensar em ambientes de espera e interação que sejam confortáveis e agradáveis a estas pessoas.

Com isso, a dica também é investir em decoração e no design de interior destes espaços para que estes momentos sejam associados a boas experiências, refletindo no valor percebido pelo cliente, que comentamos no início do artigo.

Ainda falando sobre decoração, lembre-se da questão de público-alvo definida no plano de negócio.

Lembre-se: decorar um espaço é também se comunicar com os seus clientes em suas linguagens.

6. Equipe

equipe médica

Uma clínica ou consultório precisa, necessariamente, ter mais funcionários que o próprio médico?

A quantidade de funcionários dependerá do tamanho da sua empresa e dos tipos de serviços ofertados.

Porém, dificilmente funcionará bem sem ter ao menos um recepcionista e um profissional de limpeza.

Isso porque, ao longo da jornada de atendimento, eventualidades podem acontecer, como telefonemas, anotação de recados, recebimento de potenciais clientes para esclarecimento de informações, entrega de correspondências e encomendas, sujeira em razão da movimentação dos pacientes…

Ao estar em atendimento, dificilmente você conseguirá atender a todas essas incidências, sendo prejudicial ao negócio de diversas formas.

Da mesma forma, é preciso dispor de bons equipamentos e providenciar todas as necessidades para a boa execução do trabalho da equipe (Ex: um bom notebook para o recepcionista).

Em relação à contratação de recepcionistas, alguns pontos são importantes de serem observados, logo que essa pessoa será o ponto de contato com o cliente e, por isso, muito da percepção da empresa será construída a partir destas relações.

É aquela velha e importante história do “a primeira impressão é a que fica”.

Sendo assim, é importante que este profissional tenha como atributos a boa comunicação, proatividade e carisma, cativando o cliente com o seu atendimento. 

Além disso, no cotidiano, o prezo pela boa aparência, boa postura e fala com clareza são essenciais para uma boa imagem transmitida, além de possuir um bom jogo de cintura em possíveis situações delicadas.

7. Marketing e divulgação

marketing médico

Há também aquele ditado popular que diz que “quem não é visto, não é lembrado”.

E quando pensamos na era da informação a qual estamos vivendo, não há como dizer que esse ditado esteja errado.

A comunicação é um ponto de extrema importância para qualquer modelo de negócio, logo que se seu público não conhece a oferta de seus serviços, sequer há a possibilidade de despertar o desejo de utilizá-los quando necessário.

Divulgar sua clínica médica requer diversos olhares para várias áreas, como o branding, identidade visual, marketing digital, canais de comunicação, dentre tantas outras particularidades estratégicas para se alcançar seu público de maneira efetiva.

Por isso, é muito recomendado a contratação de profissionais ou agências especializadas em comunicação para dar suporte no entendimento e construção das estratégias de comunicação específicas e eficazes para a sua empresa.

Google My Business

Um primeiro passo que pode ser dado é utilizar a ferramenta Google My Business que, literalmente, coloca o seu negócio no mapa.

Essa ferramenta do Google basicamente cria um perfil para o seu negócio no buscador, no qual pode ser complementado com dados sobre os serviços ofertados, fotos do espaço, horários de atendimento dentre outras informações importantes sobre sua empresa e o funcionamento dela.

Assim, facilita ao cliente encontrar seu consultório médico e ficar inteirado sobre ele.

Além disso, o buscador pode também apresentá-lo como uma opção ao usuário, dependendo da busca realizada.

Por exemplo: 

Se alguém nas proximidades busca por “cardiologista em Campinas”, se o perfil da sua empresa no Google My Business estiver completo e atualizado, o mesmo poderá aparecer como opção ao usuário, possibilitando torná-lo um eventual cliente.

Redes sociais

Não há como negar que hoje em dia basicamente todo cliente está em ao menos alguma rede social, seja Instagram, Youtube, Twitter ou simplesmente o WhatsApp.

A publicação de conteúdos sobre seus serviços que conversem com o seu público-alvo, mesmo que em uma periodicidade semanal, pode fazer uma grande diferença no tornar sua empresa conhecida.

Uma dica simples na hora de pensar em como interagir ou o que publicar nelas é pensar no lugar do público: 

“Quais são as dúvidas mais comuns dos meus pacientes ou que pessoas têm sobre a minha especialidade?”

É claro, toda estratégia no ambiente digital necessita ser mais aprofundada, porém, o exercício da empatia com o paciente é um excelente primeiro passo no trabalho com as redes sociais.

Dúvidas frequentes sobre como abrir um consultório médico

Todas essas dicas apresentadas até aqui são passos primordiais a serem seguidos por quem deseja abrir uma clínica ou consultório médico.

Mas, é claro, ao longo do caminho diversas dúvidas surgirão, o que é extremamente normal e comum de acontecer na vida de um empreendedor.

Por isso, a seguir, separamos as questões mais frequentes de quem está planejando aventurar-se nessa área.

Quanto custa abrir um consultório médico?

Para essa pergunta não existe uma resposta única e nem definitiva.

Tudo dependerá de fatores como:

  • Localização;
  • Equipamentos por especialidade médica;
  • Tamanho do imóvel;
  • Número de colaboradores.

Ou seja, os custos serão proporcionais ao tipo e à abrangência de atendimento que você oferecerá.

Porém, um primeiro passo para ter esse planejamento de custos mais claro é fazer o cálculo de gastos com questões primordiais para iniciar o funcionamento da clínica, tais como:

  • Custos de obra ou manutenção;
  • Compra de equipamentos básicos para atendimento;
  • Compra de móveis gerais (mesas, cadeiras, armários…);
  • Custos com decoração;
  • Custos com requisitos legais e jurídicos.

A partir deste panorama, você já terá uma noção do quanto de investimento inicial será necessário para começar a atender em seu estabelecimento.

Devo montar meu consultório médico como pessoa física ou jurídica?

O primeiro aspecto a ser entendido aqui é que o que difere um do outro é o tipo e percentual de tributação a serem pagas.

Como pessoa física, ou seja, quando se abre uma clínica como médico autônomo, para estar em dia com as obrigações fiscais o profissional deverá pagar os tributos de:

  • IR – Imposto de Renda;
  • ISS – Imposto Sobre Serviços (pago à prefeitura, que poder ter uma variação de 2 a 5%);
  • Contribuições previdenciárias ao INSS.

Tratando mais especificamente do IRRF, o valor da taxação terá uma variação de 0% a 27,5%, de acordo com o seu rendimento.

Abaixo, preparamos uma tabela demonstrativa deste imposto de renda mensal.

Imposto de Renda Mensal
Base de Cálculo (R$)AlíquotaParcela a deduzir (R$)
Até 1903,98Isento
De 1903,99 a 2826,657,5%142,80
De 2.826,66 a 3751,0515%354,80
De 3751,06 a 4664,6822,5%636,13
Mais de 4.664,6827,5%869,36

Apesar de existirem métodos para a redução da taxação do IRRF, como a utilização do livro caixa, que apura o tributo pelo valor líquido do rendimento, abrir um consultório como pessoa física, em geral, paga-se mais impostos.

Por isso, é bem mais recomendada a iniciação de um negócio como pessoa jurídica, visto que há diversos incentivos que reduzem a tributação.

A começar pela carga tributária que recai sobre a operação da pessoa jurídica, que fica no percentual de 13,33% a 16,33% (a depender da localidade onde o serviço é prestado).

Isso se o lucro presumido for escolhido como regime tributário, sendo que essa opção é a mais recomendada para pequenas clínicas e consultórios médicos.

Essa carga tributária pode ser decomposta no pagamento dos seguintes tributos:

  • PIS (Programa Integração Social) – Alíquota 0,65% sobre o faturamento;
  • COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) – Alíquota 3% sobre o faturamento;
  • CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) – alíquota de 9% sobre o lucro presumido (que pode representar 32% ou 8% do faturamento, a depender da atividade) totalizando a carga tributária de 2,88% caso a margem de presunção de lucro seja de 32%;
  • IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) – alíquota de 15% sobre o lucro presumido (que pode representar 32% ou 12% do faturamento, a depender da atividade) totalizando a carga tributária de 4,8% caso a margem de presunção de lucro seja de 32%;
  • ISS (Imposto sobre Serviços) – alíquota de 2% a 5%, a depender do município em que o serviço é prestado

Porém, se o empreendimento se enquadrar como pequena ou microempresa, tendo um rendimento bruto de até R$4,8 milhões ao ano, é possível ter acesso a uma tributação simplificada, ao se enquadrar no Simples Nacional.

Nessa modalidade, o médico paga o chamado DAS, uma taxa que contempla todos os impostos, cobrado de acordo com o faturamento total da empresa.

Importante notar que é possível enquadrar a empresa médica em duas sistemáticas distintas no Simples Nacional, a que consta do Anexo III da Lei Complementar nº 123/06, ou a que consta no Anexo V da Lei Complementar nº 123/06.

Mas qual a diferença entre essas duas modalidades? 

Uma empresa médica que opte pelo Simples Nacional, poderá enquadrar-se no Anexo III, mencionado acima, caso a folha de salários (incluindo o pró-labore) corresponda a 28% do faturamento dos últimos 12 meses.

Nesse caso o faturamento fica sujeito a uma carga tributária progressiva que se inicia em 6%. 

Como as empresas médicas não costumam ter folha de salário expressiva, é comum que a contabilidade majore o valor do pró-labore pago ao sócio para que a empresa se mantenha no Anexo III.

Essa opção, no entanto, implica em recolhimento de INSS sobre o valor recebido e exige acompanhamento constante para que o percentual de 28% seja mantido ao longo do tempo.

Por outro lado, uma empresa médica que opte pelo Simples Nacional cuja folha de salários (incluindo o pró-labore) não corresponda a 28% do faturamento dos últimos 12 meses, deverá enquadrar-se no Anexo V da Lei Complementar nº123/06.

Nesse caso o faturamento fica sujeito a uma carga tributária progressiva que se inicia em 15,5%. Note que esta carga pode ser maior que a do regime do lucro presumido.

Atenção, médico: lembre-se que você não precisa lidar com toda essa burocracia ou entender toda a complexidade dessa “sopa de letrinhas”. 

O mais indicado é, desde a abertura da empresa, contar com um contador ou equipe especializada em contabilidade, como a MedAssist, que acompanhará de perto  o seu caso e possibilitando uma redução de impostos em até 50%.

Como funciona a legalização de um novo consultório?

A legalização de um consultório corresponde a todos os documentos e permissões para a prática das atividades médicas dentro das conformidades legais.

Por se tratar de um serviço de primeira necessidade, há uma série de exigências que precisam ser garantidas antes de iniciar os trabalhos, como:

  • Licença da Vigilância Sanitária;
  • Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde;
  • Alvará de funcionamento;
  • Autorização do Corpo de Bombeiros;
  • Certificado de Limpeza Urbana do Município.

Mais para cima, no início deste artigo, detalhamos mais a fundo cada uma delas e os processos para suas obtenções, no tópico “Requisitos legais para abertura”.

Vale a pena conferir.

Preparado para abrir seu consultório médico?

Não há como negar que tornar-se empreendedor simboliza diversas vantagens, ainda mais no exercício de uma atividade que se ama e que estudou tanto para exercê-la.

Porém, é preciso olhar de forma cuidadosa ao tomar a decisão de como abrir um consultório médico, como vimos ao longo de todo o artigo, são diversos detalhes que necessitam de atenção total, logo que cada um deles podem ter impactos enormes em sua vida e empreitada.

Por isso, conte sempre com os serviços da MedAssist, especialista em contabilidade médica, e com know how de mercado, atendendo, atualmente, mais de 1.000 médicos em todo o país.

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